Adeus ao Esporte Interativo, seja bem-vindo TNT Sports

18 de janeiro de 2021

Tags:Brasil

O Esporte Interativo mudou de nome. Neste sábado, já foi possível começar a ver as marcas do grupo mudaram para TNT Sports, nome escolhido na Argentina e que vai integrar o grupo Warnermedia na América Latina. O nome, inclusive, já era usado na Argentina, que passa a ter uma colaboração maior. No Chile, o canal CDF também adotou a marca TNT Sports. O EI Plus, canal de streaming pago do grupo, passa a se chamar Estádio TNT Sports. A nova identidade foi anunciada em comunicado da empresa neste domingo.

A marca foi criada na Argentina e, assim como o grupo Disney passa por mudanças comandadas pelo time na Argentina, o mesmo acontece com a Warnermedia, que usa a marca mais forte, da TNT, para criar um braço esportivo com o nome do canal.

Na Argentina, a TNT Sports tem os direitos do Campeonato Argentino, dividido com o grupo Disney, além da Copa Argentina e do Torneio de Verão do país – nesta temporada não disputada pelo calendário maluco que vivemos. O canal argentino ainda possui os direitos do Mundial de Clubes, que compartilha com o Chile, via o antigo CDF. O Campeonato Chileno, que a CDF possui, também é transmitido pelos canais da Argentina e do Brasil (por aqui, alguns jogos já vinham sendo transmitidos pelo EI Plus, agora Estádio TNT Sports).

História do Esporte Interativo

Criado em 2004, o então Esporte Interativo surgiu da agência TopSports e fazia parceria com emissoras. Começou pela RedeTV! e transmitia eventos como a Premier League, Champions League e NBA. Depois de conflitos com a rede de TV, a parceria mudou de casa e foi para a Bandeirantes, com Champions League, La Liga, Premier League e Serie A Italiana.

Foi em 2007 que o canal começou a voar solo. Virou um canal UHF, além de também ser um canal via satélite, chegando à maior parte do território brasileiro. No seu quinto aniversário, renovou seu contrato com a Champions League, passou a ter direito também à Liga Europa e à Supercopa. Abriu também um estúdio em São Paulo na época.

Em 2012, o Esporte Interativo criou o EI Plus, a sua plataforma de VOD (vídeo on-demand). No ano seguinte, a Turner comprou 20% da emissora. O grupo é dono de canais como a CNN, Cartoon Network, TNT e Boomerang, que fazem parte do cardápio das TVs por assinatura.

Um passo importante foi dado em 2014. O Esporte Interativo criou um canal regional, o Esporte Interativo Nordeste, dedicado ao futebol da região e que comprou seis campeonatos estaduais para transmitir. Além disso, comprou com exclusividade a Copa do Nordeste.

Durante a temporada 2014/15 da Champions League, uma notícia chacoalhou o jornalismo esportivo: o Esporte Interativo venceu a concorrência e comprou os direitos da Champions League, por três temporadas. Com isso, desbancou uma hegemonia de 20 anos da ESPN Brasil, que detinha os direitos de transmissão e fez uma proposta conjunta com o grupo Globo para dividir os direitos com o SporTV. Contamos, em novembro de 2014, os bastidores de como o Esporte Interativo conseguiu os direitos da Champions League. Com a principal competição de clubes da Europa no cardápio, a batalha passou a ser para entrar nas TVs por assinatura.

Em 2015, a Turner comprou 100% do canal e passou a controlá-lo. Foi lançado o Esporte Interativo Max (ou EI Max), que estreou no dia 25 de julho. Em agosto, o canal começou a entrar nas operadoras, mas foi uma batalha. Em agosto ainda daquele ano, o Esporte Interativo Nordeste se tornou o segundo canal da emissora, o EI Maxx 2.

A Turner negociou duramente para colocar os canais nas duas maiores operadoras do país, Net (atual Claro) e Sky. Foi quase um ano de disputa, contando com o que acontecia com o Esporte Interativo Nordeste, que também não foi incluído de primeira. A divergência para que os canais entrassem na grade era simples: dinheiro.

A Turner queria um calor mínimo por assinante que estava acima do que as operadoras queriam pagar e pagavam para outros canais, já tradicionais. A negociação se arrastou, fazendo com que muitos jogos da Champions League, principal produto da emissora, ficassem só no EI Plus.

O fim dos canais Esporte Interativo e o início das “Superstations”

A fusão causou consequências. Em dezembro de 2018, a Turner surpreendeu ao anunciar o fim dos canais Esporte Interativo, que ficaram dois dias passando reprises. A empresa migrou o seu conteúdo esportivo para a TNT e o Space, transmitindo jogos e alguns programas pelos canais de entretenimento, um conceito de “Superstation”, usado em outros países, mas até então inédito na TV por assinatura do país. Contamos aqui sobre o fim dos canais Esporte Interativo e por que aquilo aconteceu. Cerca de 250 pessoas foram demitidas na época, gerando, claro, muita apreensão.

A ideia, porém, vingou. O Esporte Interativo manteve suas transmissões na TNT e Space. Conseguiu adicionar ao seu cardápio de eventos, em 2020, as Eliminatórias da Copa na América do Sul – depois da Globo romper o contrato, discordando dos valores – e do Campeonato Italiano. A exibição das Eliminatórias da Copa na América do Sul é fruto de um acordo com a empresa que negocia, individualmente, os direitos de 8 das 10 seleções. Só Brasil e Argentina conseguiram vender todos os seus jogos como mandantes (no Brasil, pertencem ao grupo Globo).

O Esporte Interativo seguia transmitindo jogos pela TNT e Space, incluindo o Brasileirão. Os direitos adquiridos com os clubes brasileiros valem até 2024. Os direitos do Campeonato Italiano, adquiridos no fim de 2020, valem só até o final desta temporada 2020/21. Os direitos da Champions League acabam nesta temporada e a agência que faz a concorrência já convocou, além do agora TNT Sports, a Globo, SBT e o grupo Disney. Há interesse do grupo Globo em voltar a exibir a Champions League na TV aberta e passar a exibir também na TV fechada. O grupo Disney também quer retomar a transmissão, que já exerce em outros países da América Latina.

Agora, com mais integração na América Latina, o grupo TNT Sports ganha força para negociar por novos direitos, além de poder contar com equipes nos três países, Argentina, Brasil e Chile. Resta saber como serão os próximos passos. (Trivela)

 

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