Ausência de fogo no avião da Chapecoense aponta para falha Envolvendo Combustível

30 de novembro de 2016

As autoridades aeronáuticas da Colômbia já iniciaram a análise das duas caixas-pretas do avião que se acidentou na noite de segunda-feira em uma montanha perto de Medellín, com 77 pessoas a bordo, inclusive todo o time da Chapecoense. As causas do acidente, que deixou pelo menos 71 mortos, ainda são desconhecidas, mas a ausência de um rastro de fogo nos restos do aparelho e na área do impacto indica a que o avião da companhia boliviana Lamia, que se declarou em “emergência” antes de cair, estava sem combustível. “Não existe indícios de combustível na aeronave”, declarou Alfredo Bocanegra, diretor de Aeronáutica Civil da Colômbia.
As duas caixas-pretas foram recuperadas “em perfeito estado”, o que permitirá conhecer os parâmetros de voo, os possíveis incidentes técnicos, as conversas entre os pilotos e a torre de controle e os diálogos dentro da cabine até o momento exato da queda. A descoberta das caixas-pretas foi confirmada pelo ministro de Transporte da Colômbia, Jorge Eduardo Rojas, que não quis antecipar hipóteses sobre as causas do acidente.
Segundo o ministro, as duas caixas-pretas estão nas mãos dos investigadores aeronáuticos colombianos, assim como os motores do avião, para tentar descobrir o que causou o acidente quando a aeronave se aproximava do aeroporto internacional José María Córdova, em Medellín.

 “No existe evidencia de combustible en la aeronave”, Alfredo Bocanegra en @BluRadioCo 

O aeroporto de Medellín informou que o avião, com matrícula boliviana CP2933, “declarou-se em emergência” por volta de 22h (1h de terça-feira, pelo horário de Brasília) “com falhas elétricas, conforme foi informado à torre de controle da Aeronáutica Civil”.
O avião que transportava a delegação da Chapecoense e jornalistas, um Avro Regional Jet 85 (RJ85), deveria ter pousado em Medellín por volta de 22h (hora local). “O avião pediu preferência para aterrissar em Rionegro, foi concedida, mas logo se perdeu o contato”, relatou Bocanegra. O acidente aconteceu entre as localidades de La Ceja e La Unión.
O jornal El Colombiano noticia, citando fontes do aeroporto, que a tripulação do RJ85 informou, às 21h45, que tinha pouco combustível, razão pela qual solicitou à torre prioridade na aterrissagem.
A publicação relata também que o avião tinha pouca autonomia (2.960 quilômetros) e que o trajeto (de 2.965 quilômetros) superava em quilometragem, embora por muito pouco, a capacidade de voo do aparelho. O lugar do impacto – o morro El Gordo, no município de La Unión, departamento de Antioquia – fica a cerca de nove quilômetros da pista de pouso.
Ximena Suárez, comissária de bordo que sobreviveu ao acidente, disse às equipes de resgate que o avião “se desligou completamente” e “teve um forte descenso” antes de sofrer um grande impacto.

Localizadas las dos (2) “cajas negras ” por personal seguridad aérea aerocivil

As imagens do lugar do acidente mostram que não há rastros de incêndio nem entre os restos da fuselagem nem nos motores. No entanto, a ausência de combustível, segundo os especialistas aeronáuticos, pode se dever a múltiplos fatores: fugas, falhas nos sistemas de alimentação dos motores, erros da tripulação, erros nos cálculos de autonomia do voo depois do gasto durante a decolagem ou inclusive um esvaziamento proposital dos tanques pelos pilotos diante da iminência de queda, justamente para evitar um incêndio.
A Seção de Investigação de Acidentes Aéreos do Reino Unido anunciou que enviará uma equipe de inspetores à Colômbia para colaborar com a Aeronáutica Civil local na investigação do acidente, já o fabricante do aparelho é britânico. (El País)

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