Cerveró diz que Petrobras orientou negócio com firma ligada ao filho de FHC

3 de junho de 2016

Tags:Brasil
Foto: Wilson Dias
O ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró disse que, por orientação do ex-presidente da estatal Philippe Reichstul, fechou negócio com uma empresa vinculada a Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), do PSDB. Segundo ele, o caso ocorreu em 1999 ou 2000.
As informações fazem parte de um dos depoimentos que integram a delação premiada de Cerveró, investigado na Operação Lava-Jato, que apura principalmente irregularidades na Petrobras. O acordo de delação prevê que Cerveró deixe a prisão no próximo dia 24 e devolva mais de R$ 17 milhões aos cofres públicos em razão dos crimes cuja autoria assumiu durante as investigações da Operação Lava-Jato.
Em 9 de dezembro do ano passado, ele contou aos investigadores que conheceu Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, que representava os interesses da empresa espanhola Unión Fenosa. O objetivo dele era fazer com que a Petrobras se associasse à empresa na obra da usina termelétrica do Rio de Janeiro (Termorio).
Segundo o termo de colaboração de Cerveró, “Fernando Antônio Falcão Soares e os dirigentes Unión Fenosa acreditavam que o negócio estava acertado, faltando apenas a assinatura para a finalização”. Porém, “o negócio já estava fechado com uma empresa vinculada ao filho do presidente da República Fernando Henrique Cardoso, de nome Paulo Henrique Cardoso”.
De acordo com Cerveró, a empresa ligada ao filho de Fernando Henrique se chamava PRS Participações e “o negócio havia sido fechado pelo próprio declarante [Cerveró], por orientação do então presidente da Petrobras Philippe Reichstul”. Ele narra ainda que Fernando Baiano e os dirigentes da empresa espanhola ficaram surpresos e bastante contrariados.
O ex-senador Delcídio Amaral tinha se encontrado com dirigentes da Unión Fenosa e, segundo Cerveró, também ficou contrariado com a situação. Isso porque ele era diretor de Gás e Energia da Petrobras na época, mas o negócio não passou por ele. Ele teria ameaçado votar contra a aprovação do negócio com a PRS na Diretoria Executiva da Petrobras.
No final, o acordo passou, contando inclusive com o voto favorável de Delcídio. Assim como Cerveró, Delcídio e Fernando Baiano também colaboram com as investigações da Lava-Jato. (O SUL)

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