CHINA INVESTIGA BAIDU APÓS MORTE DE ESTUDANTE

5 de maio de 2016

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Wei Zexi, 21, sofria de sarcoma sinovial, um tipo raro de tumor que se forma no tecido que envolve as articulações, atingindo normalmente os tornozelos e os joelhos. Depois de se submeter a diversos tratamentos com quimioterapia em diferentes hospitais e não verificar nenhuma melhora em sua situação, o jovem decidiu procurar outras soluções no Baidu –o equivalente do Google na China. Entre os primeiros resultados da busca, apareceu o Segundo Hospital da Polícia Armada de Pequim, que oferecia um tratamento baseado no uso de células geradas pelo sistema imunológico do próprio paciente.

O centro médico afirmava que se tratava de uma nova terapia resultante de uma pesquisa realizada em parceria com uma universidade norte-americana, o que era falso. Wei e sua família pagaram cerca de 200.000 yuans pelo tratamento (cerca de 106.000 reais), e o estudante morreu no último dia 12 de abril, segundo a agência oficial de notícias Xinhua.
Em fevereiro, ao perceber que o tratamento não dava qualquer resultado, o jovem denunciou à Justiça as práticas nocivas da instituição e o fato de esse centro constar dentre os primeiros resultados anunciados pelo buscador. “Baidu, não sabíamos o quanto você pode fazer mal”, escreveu. A divulgação do caso provocou a manifestação irada de milhares de internautas na China e obrigou a que se abrissem investigações por parte da Administração Estatal de Internet e da Comissão Nacional de Saúde.
Tal como ocorre no caso do Google, grande parte das receitas do Baidu provém daquilo que é pago por anunciantes para aparecerem logo no início das pesquisas. No entanto, no buscador chinês, a diferença entre os links normais e os links patrocinados não fica clara. A empresa se comprometeu a avaliar melhor os conteúdos de seus anunciantes. A agência reguladora de internet do gigante asiático pediu explicações sobre o caso ao próprio presidente da companhia, Robin Li, segundo os jornais locais. As autoridades também abriram uma investigação sobre o hospital em questão.
O Baidu já pediu desculpas e prometeu colaborar com as autoridades. Os veículos de comunicação estatais também atacaram a empresa, que é acusada de priorizar os lucros em detrimento da moral. “Existem hospitais que lucraram à custa da morte de pacientes levados por anúncios enganosos pagos para aparecer nos lugares mais altos nos resultados das buscas”, afirmou o Diário do Povo, em texto opinativo. “Como buscador que lidera o mercado na China, o Baidu acaba servindo de porta de entrada para a maioria dos usuários que buscam informações. Mas aparentemente trata-se de uma via de entrada para o conhecimento que acabou se entupindo com dinheiro”. As ações da companhia na bolsa Nasdaq caíram cerca de 8% depois do anúncio das investigações.
Este não é, porém, o primeiro caso em que se questiona a ética adotada pela Baidu na gestão do conteúdo de seus anunciantes. No começo do ano, a empresa vendeu os direitos de gestão de um foro de pacientes com hemofilia a uma clínica particular que não tinha licença e que usava a plataforma para promover seus tratamentos contra a doença. Muitos usuários, na época, defenderam um boicote contra o buscador, que domina cerca de 80% do mercado chinês.
Fonte:El País 

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