Diretor do DMLU deixa cargo após operação do MP contra crimes na administração

25 de novembro de 2016

Foto: Guilherme Testa
O diretor do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) de Porto Alegre, André Carús, postou nota no Facebook na manhã desta sexta-feira para informar que pediu exoneração do cargo. A decisão ocorreu um dia após o Ministério Público deflagrar a operação Fosso de Tártato, que investiga crimes contra administração pública no órgão.
O diretor-adjunto Vercidino Albarello assume o DMLU até janeiro, quando o prefeito eleito Nelson Marchezan Júnior assumirá o Executivo de Porto Alegre.
Na mensagem divulgada na rede social, Carús destacou o trabalho que fez à frente do DMLU pautado pela transparência, na legalidade e no interesse público. “Tinha como meta reduzir o número de focos de lixo na cidade, modernizar a prestação de serviços e ampliar os mecanismos de controle interno. Analisando os últimos quase quatro anos, creio que conseguimos cumprir com este desafio: reduzimos em 54% o número de focos de lixo crônicos na cidade, duplicamos a Coleta Automatizada, ampliamos a Coleta Seletiva para 100% das ruas, qualificamos a Coleta Domiciliar, implementamos projetos pioneiros e colaborativos de encaminhamento de resíduos e educação sócio-ambiental, além de incrementar os mecanismos de fiscalização”, revelou o demissionário.
Além disso, o demissionário destacou o esforço para remodelar “todo o sistema de promoção da limpeza urbana”. Ressaltou ainda que regularizou os contratos de prestação de serviços, acabando com os emergenciais e com os imbróglios jurídicos, “adequando a legislação municipal às regras nacionais”.
Segundo o político, pautado pela transparência, legalidade e interesse público, ele optou por pedir a saída da órgão da Prefeitura de Porto Alegre. “Tendo estas premissas como norte pessoal, venho solicitar meu desligamento do cargo a fim de não deixar pairarem quaisquer dúvidas com relação ao melhor andamento das investigações iniciadas pelo Ministério Público Estadual”, escreveu Carús.
O diretor demissionário garantiu que não há rombo, dano, malversação ou aplicação de recursos públicos e que implementou um “rigoroso e eficiente” processo de controle interno para evitar problemas. Porém, para evitar “desgastes a imagens do departamento, de servidores e da prefeitura considereou necessário o afastamento definitivo do cargo.
“Tenho a consciência tranquila e a certeza de que em nenhum momento, eu, a direção e os demais membros da equipe do DMLU nos omitimos ou fomos levianos no trato com a coisa pública. Muito pelo contrário: aquilo trazido à tona pelas recentes repercussões da mídia e na própria investida do MP, são irregularidades que identificamos a partir dos nossos mecanismos de fiscalização. Todas as providências legais, contratuais e cabíveis foram tomadas com a maior celeridade e responsabilidade possível, com a glosa e a não autorização do pagamento de valores a empresas terceirizadas, entre outras medidas”, declarou Carús.
Operação do MP
Conforme investigação da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, coordenada pelo promotor Nilson de Oliveira Rodrigues Filho, os envolvidos teriam praticado diversas fraudes na execução dos contratos que as empresas mantêm com o DMLU. As práticas vão desde a não prestação integral do serviço, “chegando ao descalabro de serem colocadas caliças e resíduos da construção civil para aumentar o peso dos caminhões e potencializar o valor a ser pago pelo Poder Público”, destaca o promotor. A operação foi chamada de Fosso de Tártato em referência ao local onde se deposita o lixo do lixo.(Correio do Povo)

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