Governo e magistério não entram em acordo e greve continua

1 de junho de 2016

Foto: Marieli Rangel
As respostas do governo estadual às reivindicações dos professores da rede pública não foram bem recebidas pelo Cpers-Sindicato. “Eles apenas transcreveram e assinaram a falta de propostas apresentada na última reunião que tivemos. Vamos repassar este documento a todas as escolas do Rio Grande do Sul para que todos os professores e funcionários de escola vejam a falta de respeito deste governo com os educadores e a educação pública”, afirmou a presidente do Cpers-Sindicato, Helenir Aguiar Schürer.
O documento foi entregue pelo secretário da Educação, Vieira da Cunha, na manhã desta terça-feira (31) ao comando de greve do magistério, liderado por Helenir. O encontro ocorreu no auditório Paulo Freire, no Centro Administrativo Fernando Ferrari. Esta foi a terceira reunião desde o início das paralisações dos professores, há cerca de duas semanas.
Em relação ao principal item da pauta, o pedido de reajuste salarial de 13% aos professores, o governo respondeu que não há como atender a reivindicação. “É do conhecimento de todos a precária situação financeira do Estado. Portanto, reafirmamos que há uma impossibilidade material de conceder qualquer aumento, uma vez que o governo sequer consegue integralizar a folha de pagamento do funcionalismo dentro do mês”, ressaltou o secretário Vieira da Cunha.
Outro assunto discutido foi o PL 44/2016, enviado à Assembleia Legislativa. Nesse item, o governo do Estado se comprometeu que o projeto não será votado nos próximos três meses. “Inclusive, estamos abertos para o debate público da matéria, com a disposição de emendas e sugestões para aperfeiçoamento do texto que foi enviado à Assembleia”, explicou Vieira.
O plano de saúde do IPE também é outro ponto debatido pelo comando de greve. Nesse aspecto, o secretário esclareceu que “não há nenhuma proposta concreta sobre alterações do plano ou aumento de descontos dos servidores. O assunto está em discussão no IPE e o Cpers tem assento no Conselho que decidirá sobre o assunto”, completou Vieira.
Conforme o Cpers. Vieira, que está deixando o cargo para concorrer à prefeitura de Porto Alegre, demonstra desinteresse pela secretaria que está sob o seu comando. Helenir reforçou que a greve dos educadores está crescendo a cada dia e que a falta de interesse do governo irá colocar ainda mais força na mobilização. “Temos um responsável pela continuidade da greve e essa pessoa é José Ivo Sartori. A ele, informamos que não vamos retroceder até que ele nos apresente propostas as nossas reivindicações. Este governo terá de aprender a respeitar os educadores e a comunidade escolar”, destacou.
Outros pontos de reivindicações e as respectivas respostas do governo estadual:
1. Negociação dos dias de greve, chamada pela CNTE, nos dia 15, 16 e 17/3/2016:
O governo do Estado está aberto para negociação, seguindo a sistemática já adotada em períodos anteriores, mediante a efetiva recuperação dos dias letivos.

2. Vacinação dos Trabalhadores em Educação contra o vírus H1N1 (gripe A):
A Secretaria da Saúde incluiu os professores no grupo prioritário de vacinação. Os postos de saúde estão autorizados a aplicar a vacina de professor, mediante a identificação. Destaca-se que o atendimento depende da disponibilidade da vacina.

3. Reenquadramento do difícil acesso
Esclarece-se que a questão foi apontada pelos órgãos de controle, como CAGE e Tribunal de Contas do Estado do RS, levando a administração a adotar providência. A providência limita-se, no momento, à criação de Comissões para levantar a situação em cada uma das Coordenadorias Regionais de Educação. Reafirmamos o convite ao Cpers para participar das referidas Comissões.

4. Hora Atividade
Houve decisão do Tribunal de Justiça do Estado julgando improcedente a ação movida pelo Cpers. A Secretaria da Educação deu cumprimento à decisão judicial, e o governador editou decreto sobre o assunto. Como o Cpers recorreu da decisão, estamos no aguardo do pronunciamento definitivo do Judiciário para voltar a tratar do tema.

5. Merenda escolar para todos os alunos
A merenda escolar é fornecida para todos os alunos. É um programa federal. Os valores repassados pelo FNDE estão defasados (R$ 0,30 por aluno), o que tem sido objeto de pedido de atualização de todas as secretarias de Educação do país. O Estado complementa, dependendo da tipologia da escola, repassando às escolas de ensino médio mais R$ 0,60 por aluno. Já as escolas em tempo integral recebem do Estado a complementação de R$ 1,07 por aluno. Além disso, as escolas que têm até 100 alunos também recebem do Estado a complementação de R$ 0,60 por estudante.

6. Fim do fechamento de turmas e escolas
As turmas obedecem rigorosamente ao número máximo de alunos previstos pelo Conselho Estadual de Educação/RS. Turmas só são fechadas quando não há número de alunos que justifique a sua existência. Já o eventual fechamento de escolas somente se dá excepcionalmente, e sempre ouvindo a comunidade escolar.(O SUL)

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