Não devemos nos preocupar com os excessos contra a gente diz Renan

8 de junho de 2016

Tags:Brasil
Foto: Agência Senado
Em um recado direto ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta terça-feira (7) que os senadores não devem se preocupar com os excessos cometidos contra eles. Da mesa do plenário da Casa, o peemedebista fez referência ao pedido de sua prisão feito pelo procurador ao Supremo Tribunal Federal. Ele disse ainda que o Senado “não será parte da crise” e, sim, “solução”.
“Não devemos ter preocupação com os excessos que cometem contra a gente. Como presidente do Senado, toda vez que cometem excessos contra algum senador, eu fico preocupado. Temos que ter preocupação quando se cometem excessos contra a instituição”, disse.
Renan falou em resposta a uma fala do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que também teve a prisão pedida por Janot. “Infelizmente, esses fatos nos levam a ser vítimas de um processo que até agora eu não posso responder porque até hoje não consegui acesso nem às gravações, nem a delação do senhor Sérgio Machado. Emiti duas notas sobre esta questão mas agora vou aguardar com a tranquilidade de quem fala a verdade que esta questão possa ser resolvida no curto prazo”, disse Jucá.
Para Renan, qualquer movimento dos senadores neste momento pode ser interpretado como uma interferência na separação entre os poderes. “Mais do que nunca, é preciso exercitar a separação dos poderes e esperar com tranquilidade a decisão da Suprema Corte. Qualquer movimento que fizermos a mais parecerá que estamos danificando a separação dos poderes. Mais do que nunca é preciso falar pelo silêncio. O meu silêncio será uma manifestação retumbante”, disse.
O peemedebista é alvo de um pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal. Além dele, o procurador pediu a prisão do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do deputado afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
É a primeira vez que a PGR pede a prisão de um presidente do Congresso e de um ex-presidente da República. Em relação a Sarney, o pedido é de prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica, em razão de sua idade – 86 anos.
No caso de Renan, Sarney e Jucá, a base para os pedidos de prisão tem relação com as gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado envolvendo os peemedebistas. As conversas sugerem uma trama para atrapalhar as investigações do esquema de corrupção da Petrobras.
“Não adianta, o Senado não é parte da crise. O Senado é a solução da crise e não vamos em nenhum momento exacerbar da nossa competência em nenhum momento. Não vamos elevar a temperatura institucional. E compreendo que em todos os momentos de desproporcionalidade e excesso, expressões da democracia se desgastam muito. O Senado, pela sua importância na história do país, não pode colaborar com isso”, disse Renan aos colegas.
Mais cedo, o presidente do Senado divulgou uma nota em que reafirmou não ter praticado nenhum “ato concreto que pudesse ser interpretado como suposta tentativa de obstrução à Justiça” porque “nunca agiu, nem agiria, para evitar a aplicação da lei”, e considerou a iniciativa da PGR como “desarrazoada, desproporcional e abusiva”.
O peemedebista disse ainda que não teve acesso aos fundamentos que embasaram os pedidos de prisão e fez uma crítica ao Ministério Público ao dizer que as “instituições devem guardar seus limites”.
Apesar do pedido de prisão ter sido considerado grave por senadores tanto da base aliada quanto da oposição, a postura adotada pelos parlamentares foi de cautela até que o Supremo decida sobre os pedidos de prisão.
Com a repercussão moderada, Renan manteve sua agenda pública. Ele preside a sessão deliberativa desta terça que deve votar a indicação do economista Ilan Goldfajn para a presidência do Banco Central e a proposta de modernização da lei de gestão financeira. (O SUL )

Ao Vivo - Rádio Carazinho