Para o governo, delação da Odebrecht na Operação Lava-Jato pode dificultar votações no Congresso

18 de outubro de 2016

Tags:Brasil
Foto: Taba Benedicto
O governo Michel Temer tentará acelerar a pauta governista no Congresso Nacional na tentativa de evitar que a delação premiada da empreiteira Odebrecht atrapalhe o ritmo das votações. A expectativa do Palácio do Planalto é que o acordo da Operação Lava-Jato com a construtora possa ser homologado entre dezembro e janeiro do ano que vem.
O receio é que o conteúdo da delação premiada venha a atingir o núcleo duro do Palácio do Planalto e até aliados de peso no Poder Legislativo, o que geraria turbulências nesta reta final de ano e prejudicaria votações de interesse do presidente. Para evitar uma contaminação do clima hoje favorável no Congresso, a ordem da equipe presidencial é tentar acelerar a tramitação da principal medida governista, o teto dos gastos públicos, e apresentar a reforma previdenciária em seguida.
A meta é garantir a votação do teto em segundo turno na Câmara dos Deputados na próxima semana e tentar concluir o processo no Senado Federal ainda em novembro, onde a proposta de emenda constitucional que cria o teto dos gastos públicos tem de passar por duas votações.
Na sequência, a ideia é apresentar ao Legislativo a reforma previdenciária. Na semana que vem, o presidente deve se reunir com centrais sindicais e entidades patronais para tratar do tema.
O ideal, segundo um auxiliar de Temer, é que tudo esteja concluído antes da homologação da delação da Odebrecht. A avaliação é que ela irá criar turbulências e já gera certa apreensão, porque ninguém sabe ao certo o estrago que será causado no mundo da política.
O Palácio do Planalto não acredita que o conteúdo possa atingir diretamente o presidente Michel Temer, com a hipótese apenas de citações laterais, mas há o receio de que envolva diretamente pelo menos três ministros e aliados importantes do governo no PSDB, PMDB e DEM.
Nas palavras de um auxiliar de Temer, as investigações contra as gestões Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva “deram o que tinham de dar” e, a partir de agora, “os canhões devem ser virados para o atual governo”.(O SUL)

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