PARAGUAIOS ESTÃO SENTINDO FALTA DO DINHEIRO DOS BRASILEIRO

29 de março de 2016

Foto: Reprodução
Os impactos da desvalorização do real e da crise brasileira chegaram ao vizinho Paraguai. Um dos maiores centros comerciais de importados do Mercosul, Ciudad del Este fechou mil pontos de venda no ano passado e demitiu 10 mil trabalhadores – parte deles brasileira. Localizado na fronteira com Foz do Iguaçu (PR), o município paraguaio tinha até o início de 2015 cerca de 5 mil lojas, segundo estimativa da câmara de comércio e serviços da cidade.
A redução de 20% em um ano no número de estabelecimentos é decorrente, sobretudo, da valorização do dólar, que passou de 2,70 reais no início de janeiro do ano passado para 4,03 reais no mesmo período deste ano.
Como quase todos os produtos comercializados em Ciudad del Este são importados, eles ficaram mais caros para os brasileiros durante o ano passado. Historicamente, os itens na região eram 30% mais baratos que os vendidos no Brasil. Além de os impostos paraguaios serem inferiores, o fato de as lojas serem importadoras favorece os preços do outro lado da fronteira – os produtos não passam por uma rede de distribuição antes de chegar à mão do consumidor final.
A crise econômica, que, com a inflação e as demissões, reduziu o poder de compra dos brasileiros, deixou ainda mais fragilizada a situação de Ciudad del Este.
Gripe.
“Estamos totalmente conectados com a economia do Brasil. Uma gripe lá se transforma em um câncer aqui”, afirma Mohamed Mannah, presidente da câmara de comércio local.
A proporção do impacto dos problemas econômicos brasileiros no município se explica pelo fluxo de consumidores. Em 2014, 76 mil pessoas atravessaram a fronteira diariamente, segundo a Receita. Os dados de 2015 ainda não foram concluídos, mas o órgão informa que houve uma redução considerável.
Os brasileiros correspondiam, até o fim de 2013, a 95% dos clientes das lojas paraguaias. Hoje, essa participação não passa de 80%. Mannah calcula que as vendas caíram em média 70% no município. Em dezembro, houve melhora com as compras de bebidas e com o turismo em Foz do Iguaçu – os hotéis da região aumentam o fluxo de visitantes com a venda de pacotes fechados para o Réveillon.
No meio de janeiro, no entanto, a situação voltou a se deteriorar. Juan Ramirez, que tem uma loja de eletrônicos, registrou recuo de 50% no seu faturamento nos últimos 12 meses e dispensou três funcionários. “Já estávamos com a equipe enxuta. Agora, temos 21 empregados.” Nas duas lojas do presidente da câmara de comércio, as demissões atingiram 14% do quadro de funcionários. Atualmente, a empresa trabalha com 276 empregados.
Dados da Receita Federal também indicam a retração no comércio da cidade. As apreensões de produtos que cruzam a fronteira sem terem os impostos pagos diminuíram 29,5% em 2015 na comparação com o ano anterior.
A auditora fiscal Giovana Longo diz que houve aumento nas operações de combate ao contrabando na região e uma migração do crime para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A crise brasileira atrelada à desvalorização do real foi, no entanto, o principal responsável pela diminuição nas apreensões, segundo a auditora. “Os importados deixaram de ser atraentes.
Fonte:O SUL 

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