PF gaúcha foi a que mais deflagrou operações no país em 2016

3 de fevereiro de 2017

Foto: Igor Grossmann
A sonegação de impostos e fraudes no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) representaram os maiores prejuízos investigados pela Polícia Federal do Rio Grande do Sul nas 74 operações deflagradas ao longo de 2016. Os números obtidos pelo G1 junto ao Ministério da Justiça, por meio da Lei de Acesso à Informação, apontam que a PF gaúcha foi a que mais deflagrou operações no ano passado – 8% do total das ações deflagradas no país.
Os crimes investigados pela PF gaúcha provocaram prejuízos de R$ 679,4 milhões, sendo 98% deste valor referente às fraudes e desvios ao longo do ano.
O segundo estado com  mais registros em 2016 foi Goiás, com um total de 64 ações, seguido de Pernambuco e São Paulo, com 63 cada.
Apesar das operações da PF terem mais que dobrado em 2016 no Rio Grande do Sul, os prejuízos causados pelas organizações criminosas foram bem menores que os R$ 7 bilhões investigados em 2015 no estado.
De acordo com o superintendentes da Polícia Federal, delegado Elton Manzke, os resultados de 2015 foram elevados por conta de duas operações que investigaram prejuízos “acima da média”.
“Quase a totalidade desse valor foi referente a duas operações, a Huno (R$ 2 bilhões) e a Enredados (dano ambiental projetado em R$ 5 bilhões). Foram operações cujos prejuízos estimados estão bem acima da média, o que resulta nessa grande diferença entre os valores de 2015 e 2016”, explica o delegado, dizendo que existe uma força-tarefa permanente entre a PF e o INSS “para reprimir a atuação de organizações criminosas”.
“As operações de combate a essas fraudes têm sido frequentes em todo o país há muitos anos, pois o prejuízo causado sempre é muito elevado”, destaca.
Os resultados “fora da curva” verificados em 2015, ano no qual as fraudes foram 11 vezes maiores que em 2016, não possibilitam, conforme a polícia, uma análise acerca dos efeitos práticos do que é feito pela PF.
A avaliação do impacto positivo do trabalho da PF no Rio Grande do Sul, na visão do superintendente, podem ser verificadas na queda das apreensões de cigarros, que passou de 5,8 milhões de maços em 2015 para 2,5 milhões em 2016.
“Tivemos uma redução nas apreensões de cigarros em 2016, que atribuímos às Operações Huno (da PF em Santa Cruz do Sul) e Travessia 14 (da PF de Santo Ângelo)”, afirma Manzke.
Na análise do superintendente, operações como Darknet II, de combate à pornografia infantil na internet, não representam grandes volumes financeiros, mas são de grande impacto social. “Com 67 pessoas investigadas em 15 estados da federação por pornografia infantil, não computam prejuízo financeiro algum, mas são de grande relevância para a sociedade”, disse.
A investigação a qual ele refere foi possível por meio de uma metodologia de investigação que rastreou o compartilhamento de material de pornografia infantil por meio da deep web, um ambiente de rede que não é visível para a maior parte das pessoas que usam a internet.
“A arquitetura desse ambiente impossibilita a identificação do ponto de acesso (IP), ocultando o real usuário que acessa a rede. Poucas polícias no mundo obtiveram êxito em investigações na Dark Web, como o FBI, a Scotland Yard e a Polícia Federal Australiana. As duas operações deflagradas pela PF nesse ambiente (Dark Net I e II) partiram de investigações de policiais do Rio Grande do Sul”, afirma Manzke.
Diretrizes para 2017
Em 2016, a PF gaúcha implementou o laboratório de tecnologia contra lavagem de dinheiro, que possui uma ferramenta de processamento de dados, tornando o trabalho mais rápido e sem a necessidade de um emprego maior no número de policiais.

O software já foi usado na operação PHD, que investigou fraudes na concessão de bolsas de estudo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Apesar do orçamento ter sido reajustado pelo índice inflacionário para 2017, conforme o superintendente, o foco para este ano será de apostar nas investigações contra o desvio de recursos públicos. (G1)

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