Protesto contra Temer reúne multidão em Porto Alegre após impeachment

1 de setembro de 2016

Foto: Estêvão Pires
Uma multidão percorreu as ruas centrais de Porto Alegre, nesta quarta-feira, para protestar contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a permanência de Michel Temer no governo. De acordo com a EPTC, ao menos 3 mil pessoas caminharam pela região central, enquanto os organizadores contabilizaram cerca de 5 mil.
A manifestação, que começou na Esquina Democrática, foi organizada por movimentos sociais para defender a volta de Dilma Rousseff à presidência. O grupo seguiu pela Salgado Filho e entrou na avenida João Pessoa. Ao chegarem na sede do PMDB, começaram um velório simbólico de democracia. Neste momento, parte dos participantes arrombou o prédio e praticou atos de vandalismo, sendo dispersada pela Brigada Militar com bombas de efeito moral.
O protesto seguiu até a avenida Ipiranga, dirigindo-se em seguida à Érico Veríssimo. No local, pneus foram queimados pelos manifestantes, que também atiraram pedras e garrafas contra a BM, gritando “vocês estão do lado errado!”.
A polícia voltou a responder com bombas e a caminhada retornou à Cidade Baixa A última concentração ocorreu na Loureiro da Silva. Em um dos prédios das proximidades, um canhão de luz projetou os dizeres “Fora Temer”, enquanto os manifestantes cantavam “ole, ole, ole, ole, fora Temer”.
Protestos pelo país
Após o plenário do Senado aprovar o impeachment e dar à posse definitiva da presidência para Michel Temer, as principais cidades do País registraram manifestações. A maioria delas contra a saída de Dilma. As situações mais tensas ficaram para São Paulo e Florianópolis. Na capital paulista, um grupo depredou estabelecimentos comerciais, agências bancárias e pontos de ônibus na região central da cidade. A Avenida Paulista, palco das principais manifestações políticas no país nos últimos anos, recebeu militantes dos dois grupos.
Em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ficou concentrado o grupo que celebrava o impeachment. Pelo menos 50 pessoas comemoravam perto de dois bonecos gigantes que foram inflados, um da presidente cassada e outro do presidente do Senado, Renan Calheiros. O hino nacional foi tocado e uma faixa com os dizeres “Tchau, querida” foi estendida na via.
Já em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), manifestantes contrários à saída de Dilma fecharam um quarteirão e partiram em marcha. Com gritos de ordem de “não tem arrego” e “fora Temer”, eles eram cercados por um forte esquema de segurança. Com cassetetes e armas de balas de borracha, a PM apenas acompanhava o grupo – eles chegaram a fechar a Rua da Consolação ateando fogo em sacos de lixo. Além do “Fora Temer”, a polícia também passou a ser alvo de ofensas.
A Tropa de Choque da Polícia Militar foi acionada quando os manifestantes passaram a depredar tudo o que estava pela frente. Danos foram registrados nas regiões da Rua da Consolação e da Praça da República. Agências bancárias, uma cafeteria, diversos estabelecimentos comerciais e pontos de ônibus foram destruídos. Os polícias responderam com bombas de gás lacrimogêneo. Um carro da Polícia Civil foi destruído.
Para tentar dispersar os manifestantes, um veículo da Tropa de Choque passou a atirar jatos d’água contra o grupo, que se dividiu – parte seguia para a frente do Teatro Municipal, no Viaduto do Chá, e parte se escondeu em ruas próximas à Praça da República.
Em Brasília também houve protesto. O grupo contrário ao impeachment, que se concentrou em frente ao Palácio da Alvorada desde as primeiras horas da manhã, passou a gritar palavras de ordem contra Michel Temer. Depois, partiram para cima dos jornalistas que estavam fora do plenário – um levou um tapa no rosto e outro foi agredido a pedradas.
No Rio, a polícia acompanhou os protestos. Por volta das 17h, representantes de movimentos sociais e sindicatos se reuniram na Cinelândia, na região central, para protestar contra o impeachment. O ato foi promovido pela Frente Brasil Popular, que reúne mais de cem entidades e partidos políticos de esquerda. Segundo os organizadores, cerca de 2 mil pessoas participaram do ato.(Correio do Povo)

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