Estudo internacional ratifica segurança de novo medicamento para lúpus eritematoso sistêmico

16 de março de 2021

Tags:Saúde

Médica reumatologista Tamara Mucenic, do Grupo Oncoclínicas, participou do trabalho publicado na revista The Lancet

Doença crônica autoimune que afeta nove vezes mais mulheres que homens, o lúpus eritematoso sistêmico (LES) é raro e de manifestações muito amplas e variadas entre as pacientes. Isso faz com que a aprovação de novos medicamentos seja um processo complexo. O mais recente, o imunobiológico Belimumabe, é usado no Brasil desde 2013, mas as incidências de mortalidade e eventos adversos ainda levantavam dúvidas sobre o tratamento. No entanto, um estudo multicêntrico internacional mostrou que o medicamento é seguro, com mortalidade e eventos adversos semelhantes entre o grupo que recebeu o remédio e o que recebeu placebo.

O estudo BASE selecionou mais de 4 mil pacientes no mundo todo entre 2012-2017 e comparou o uso do medicamento com o placebo. Em um dos centros brasileiros que integraram a pesquisa, a médica reumatologista Dra. Tamara Mucenic, do Grupo Oncoclínicas, foi responsável pela inclusão de mais de 60 pacientes participantes do estudo. O resultado foi publicado recentemente na conceituada revista científica The Lancet. “Apesar de estudos clínicos anteriores terem mostrado um bom perfil de segurança, havia algumas diferenças nas incidências de mortalidade e eventos adversos específicos. Assim, foi realizado um estudo de fase IV para esclarecer estas discrepâncias”.

© A reumatologista explica que o estudo ratificou a segurança do Belimumabe, embora o grupo que recebeu o medicamento tenha tido mais reação infusional (alérgica), mais depressão e risco de suicídio. Conforme Dra. Tamara, esta associação do medicamento com sintomas neuropsiquiátricos trata-se de algo raro (ocorreu em menos de 1% neste estudo) e apenas leva à recomendação de precauções e mais vigilância no uso dele em pacientes com quadros depressivos prévios ao inicio do tratamento. O lúpus eritematoso sistêmico é mais incidente na idade reprodutiva, entre 15 e 45 anos, e causa inflamação em várias partes e órgãos do corpo, especialmente pele, articulações, coração, rins e pulmões, provocando diferentes sintomas de acordo com os locais afetados.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, embora a causa do LES não seja conhecida, sabe-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais participam de seu desenvolvimento. Portanto, pessoas que nascem com susceptibilidade genética para desenvolver a doença, em algum momento, após uma interação com fatores ambientais (irradiação solar, infecções virais ou por outros micro-organismos), passam a apresentar alterações imunológicas. A principal delas é o desequilíbrio na produção de anticorpos que reagem com proteínas do próprio organismo e causam inflamação em diversos órgãos como na pele, mucosas, pleura e pulmões, articulações, rins etc.

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