Geração cada vez mais conectada ao mundo virtual

29 de outubro de 2016

Tags:Brasil

Foto:Reprodução
A psicóloga Vanessa Otto Haubert, especializada na área transpessoal e gestora de RH, destaca que a tecnologia de fato tem encurtado as distâncias, mas em contrapartida tem encurtado a capacidade de reflexão das pessoas, principalmente da chamada geração Z. “O que se percebe é uma substituição da reflexão por reflexo, o que leva ao automatismo e não à reflexão. Se observarmos no trabalho em geral, os homens operam máquinas, e para que então reflexão, se o que se está sendo exigido pelas empresas são movimentos repetitivos?”, questiona. “O que é exigido então, não é que se reflita, mas que se execute sem refletir ou questionar (em geral) e em menos tempo. Penso, que esse comportamento se atribui à pressa, onde as coisas precisam estar resolvidas para ontem, abrindo mão muitas vezes dos valores e do que a pessoa acredita, o que pode ser frustrante. Mas, não há conscientização sobre isso e sobre os acontecimentos diários”, completa.

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A cada dia cresce a ‘dependência’ das pessoas, principalmente da nova geração, às redes sociais. Psicóloga faz um alerta em relação aos limites que os pais devem impor aos filhos, sem gerar conflitos familiares

Uma pesquisa mundial da McCann, empresa que é referência em pesquisas, revela que a geração ‘Z’, que envolve os nascidos entre os finais dos anos 1990 e início de 2000), envia, em media, 206 mensagens por dia, via redes sociais, ou seja, quase três vezes o volume da geração nascida nos anos 80. Para essas pessoas, separar a vida real do mundo virtual, parece fazer pouco sentido. Prova disso, é que cerca de 25% já receberam ‘nudes’ ou trocaram ‘sexting’. Toda relação, até as mais íntimas, segundo o estudo, não ocorre sem passar por uma via digital. Hoje é comum ver pessoas de todas as idades, inclusive crianças, até certo ponto alienadas do mundo externa, de tão afixadas e dependentes que ficam de seus celulares, smartphones e similares.

Questionada de como é possível mudar essa questão comportamental, que a cada dia avoluma novos adeptos, principalmente os jovens, sem criar um conflito familiar, Vanessa destaca que a era era digital e toda a agitação que ela traz para essa geração, acaba acarretando um conflito entre as gerações. “O que não se pode perder é o diálogo entre a família. Os jovens partilhando das novidades do mercado tecnológico com as outras gerações na grande família e o outro lado, mostrando interesse nessa ‘inovação’ que chega até eles. O interesse deve ser de ambas as partes, porque ninguém pode fugir da realidade, nunca esquecendo que deve haver um limite ao uso e isso deve ser fato”, alerta a psicóloga.
Vanessa conclui, que os adultos devem ter um largo olhar, num todo, como se observa um horizonte, tentando ver em todos os ângulos os prós e os contras. “Tudo que é demais ou de menos traz desequilíbrios. A busca por algo sempre vai existir, mas esta tem que acontecer para dentro, para o interior, refletindo, resgatando valores, ouvindo o outro. Precisamos do contato físico com as pessoas. Ninguém consegue viver sozinho. Então desconecte-se. Desligue-se do automático. Viva. Conviva. Converse. Tire tempo para si e para o contato com o outro e se permita a isso. Somente assim, encontra-se o equilíbrio” observa a psicóloga.(Diário AM)

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